Humanoides e quadrúpedes enfrentaram percurso de 3,9 km, 600 m de subida e mais de 3.100 degraus, testando equilíbrio e navegação. A disputa, com quase 90 equipes, incluiu transporte de carga e reconhecimento de terreno.
Robôs humanoides e quadrúpedes participaram de uma competição de escalada no Monte Taishan, na China, que testou equilíbrio, navegação e adaptação a terrenos irregulares. O percurso oficial tinha 3,9 quilômetros, cerca de 600 metros de elevação e mais de 3.100 degraus de pedra, e reuniu quase 90 equipes com diferentes abordagens tecnológicas.
Além da corrida principal, a disputa incluiu provas de transporte de carga, uso de exoesqueletos, reconhecimento de terrenos e capacidade de recalcular rotas diante de obstáculos. Os desafios priorizaram a agilidade, a tomada de decisão em tempo real e a fluidez de movimentos em escadarias e trechos de paralelepípedos, exigindo que os robôs adaptassem seus algoritmos e controle de marcha ao ambiente histórico e irregular do Monte Taishan.
O quadrúpede da Beijing Lingyi Technology venceu a prova principal, completando o trajeto em 43 minutos e 41 segundos. Durante os testes, um modelo da concorrente UNIUBI AI havia percorrido o mesmo trajeto em 35 minutos e 47 segundos, mas não repetiu esse tempo na prova oficial. A Beijing Lingyi Technology foi descrita como uma empresa com ligações a Unitree.
“Adaptar-se às condições da estrada do Monte Taishan foi o maior desafio. Esses degraus foram construídos há séculos. Alguns são altos, outros baixos, alguns largos, outros estreitos, e também há trechos de paralelepípedos”, afirmou Chen Lin, engenheiro que controlou o robô da equipe UNIUBI AI.
Para efeito de comparação, o mesmo percurso feito por humanos leva, em média, cerca de uma hora e meia. A competição serviu não apenas para medir tempos, mas para avaliar resistência de sensores, precisão de navegação e tolerância a falhas em operações que simulam missões reais, como transporte de carga e movimentação em rampas e degraus de formatos variados.
“Quando vários robôs competem no mesmo ambiente, suas fraquezas são frequentemente expostas rapidamente, e abordagens úteis podem ser observadas, avaliadas e adaptadas dos concorrentes. Nesse sentido, a competição funciona como um campo de testes prático, permitindo que os produtos sejam aprimorados mais rapidamente”, comentou Xiang Ligang, presidente do Instituto de Indústria da Era Inteligente de Pequim.
O Campeonato Internacional de Montanhismo do Monte Taishan existe desde 1987 e tem um percurso maior utilizado por montanhistas: aproximadamente 8 quilômetros e 7 mil degraus até o topo. Neste ano, a 40ª edição aconteceu em setembro e reuniu mais de 13 mil participantes de diversas partes do mundo. A experiência dos robôs no circuito menor de 3,9 km ofereceu lições práticas sobre robustez mecânica, redundância de sensores e a necessidade de testes em ambientes históricos e heterogêneos.
Essa competição reforçou a utilidade de eventos reais como bancos de prova: além de registrar tempos, eles aceleram ciclos de aprendizado e melhoria, ao expor problemas operacionais que dificilmente seriam detectados em laboratórios controlados. Para equipes e desenvolvedores, o desafio do Monte Taishan representou uma medida tangível do que ainda precisa evoluir para tornar esses robôs mais confiáveis em cenários do cotidiano e em missões externas.
Fonte: Olhar Digital
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